O ano de 1993. A poesia distópica de José Saramago
MARÍA VICTORIA FERRARA

O ano de 1993, publicado por José Saramago em 1975, é composto por trinta poemas que narram a ocupação de um país por um invasor totalitário e cruel num espaço de tempo apocalíptico semelhante ao registrado na arte de Salvador Dalí. O escritor português recorre a vários símbolos e estratégias que identificam a obra ao mesmo tempo como discurso distópico, surrealista e político, permitindo-lhe a denúncia de situações possíveis ou hipotéticas na sociedade desse ou de qualquer momento. Tendo em conta as relações entre a poesia e o social estabelecidas por Theodor Adorno em “Palestra sobre lírica e sociedade”, o desenvolvimento deste trabalho se concentra em torno de três questões: por que José Saramago publicou uma distopia em 1975, “no auge do movimento revolucionário popular que levou à derrubada da ditadura em Portugal”, tal como ele o descreve no prólogo de sua Poesía completa; o que levou o escritor a eleger o surrealismo entre os movimentos artísticos de vanguarda, a poesia entre os gêneros literários e o versículo como medida rítmica e melódica para tratar um tema de tantas conotações político-sociais; e, finalmente, quais elementos, recursos e símbolos presentes no texto permitem encontrar o José Saramago autor de sua narrativa posterior.

Palavras-chave: Revolução. Distopia. Surrealismo. Poesia. Política.

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